3 de janeiro de 2010

Campo da Raínha


Na Rua da Rainha (com a implementação da Republica passou a chamar-se Rua de Antero Quental), existiam uns terrenos com certa de 50x30 metros, alugados à Companhia Hortícola Portuense para viveiro de plantas. José Monteiro da Costa, homem inteligente e que vivia nas traseiras daqueles terrenos, sabia da existência de um talhão deixado ao abandono e que muito jeito faria ao seu Grupo do Destino se lhe fosse cedido. Nesse espaço, dava para construir um “parque de jogos” e ainda se podia aproveitar um velho casinhoto, que depois de restaurado dava um belo balneário. Assim colocou pés ao caminho e apresentou uma proposta que recebeu luz verde de imediato. Estava assim o problema resolvido.
Porém, com a extinção do Grupo do Destino e o aparecimento em seu lugar do ambicioso Futebol Clube do Porto, já aquele espaço para pouco servia.
Acontece então um lance de pura sorte. A Companhia Hortícola Portuense transferiu os seus viveiros para outras paragens e ficou ali à mão de semear um espaço enorme sem utilidade imediata.
Mais uma vez José Monteiro da Costa entrou em acção conseguindo que todo o terreno fosse alugado ao F.C. Porto por 1.200 reis ao ano e que logo se fizessem obras.
Depois de terminadas as obras, o F.C. Porto ficou com um complexo desportivo de elevado nível na altura, que dispunha de um amplo vestiário, balneários, arrecadações e ainda um bufete.
Os recintos de jogos eram a jóia da coroa. Com um campo para cricket. Foi construído um ginásio onde havia paralelas, barras fixas, pesos, halteres, traves fixas, argolas e trapézios. Existia também um esplêndido cort de ténis e ainda um relvado para atletismo com caixa de saltos (em comprimento e altura), lançamento de pesos, etc.
A sul ficava o terreno destinado à prática de futebol (relvado). Monteiro da Costa vira em Inglaterra os estádios com relva e não lhe passava pela cabeça voltar a jogar em pelados. O campo tinha as medidas máximas e no máximo do comprimento, dos dois lados, uma fila de bancos assentos em tijolos pintados de branco (era a bancada), que acomodava cerca de 500 a 600 pessoas. Ao centro do terreno, do lado poente, erguia-se uma tribuna majestosa destinada aos convidados de honra.
O campo da Rainha, assim vestido com novas roupagens, viria a ficar para sempre ligado à história do Futebol Clube do Porto e do futebol nacional. Foi naquele campo que se disputou o primeiro encontro internacional de futebol em Portugal, no dia 15 de Dezembro de 1907 quando o F.C. Porto recebeu o Real Fortuna de Vigo. O resultado foi de 4-1 favorável aos portistas que foram os seguintes: Soares, o guarda-redes; Dumont Vilares, Brugmann, Romualdo Torres, Ernesto Sá, António Pinheiro, Ramos, Antunes Lemos, John James, Catullo Gada e Edward d´Almeida. Dado o sucesso desse primeiro encontro, o Real Fortuna de Vigo convidou o Futebol Clube do Porto para um segundo jogo no dia 12 de Janeiro de 1908, cujo resultado se desconhece. O F.C. Porto tornou-se assim o primeiro clube nacional a disputar um jogo no estrangeiro.

2 comentários:

dragao vila pouca disse...

Com cabouqueiros desses só tinhamos um destino: ser grandes!

Um abraço

Jorge Portojo disse...

Como sou um maluquinho dos pormenores, faltam aí as datas, desde a utilização primitiva do terreno, creio 1906 até ao seu abandono, que se a memória não me falha seria por volta de 1912 para a Constituição. Pormenores no meu blogue, post 61.